quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Manejo de bezerros

O programa de manejo de bezerros recém-nascidos até a desmama é fundamental para assegurar o bom desempenho dos animais após a desmama além de que nesta fase, ocorrem os maiores problemas de mortalidade de animais. Da mesma forma que animais adultos (produção vs manutenção), a demanda nutricional de bezerros é subdividida em duas categorias: demanda protéica e energética de manutenção e demanda protéica e energética de crescimento. A demanda de manutenção pode ser descrita como a quantidade de energia e proteína necessária para atender às necessidades funcionais do organismo e está associada ao tamanho corporal, ou seja, quanto maiores forem os bezerros, maiores serão suas exigências de manutenção (funções vitais). A demanda de crescimento, por sua vez, está associada à quantidade de nutrientes necessários para o crescimento e desenvolvimento de tecidos corporais. Assim como animais adultos, em bezerros, a primeira exigência a ser atendida é a de manutenção. Uma vez atendida a necessidade de energia e proteína para manutenção, o excedente de nutrientes passa a ser utilizado no crescimento.
Os bezerros nascem sem resistência a doenças e portanto necessitam adquirir resistência, a partir da ingestão de colostro. A alimentação com colostro (o primeiro leite secretado após o parto) é crítico nas primeiras 24 horas de vida. A absorção de anticorpos rapidamente declina após o nascimento, com 2/3 dos anticorpos ocorrendo na alimentação animal. O colostro também tem um importante papel no controle da atividade microbiana danosa a nível de intestino.
A qualidade do colostro é baixa em vacas de primeira e segunda lactações, vacas mal manejadas no pré-parto e sob condições ambientais de estresse.
Devido a importância do bezerro ingerir a quantidade adequada de colostro (3,5 litros) o mais rápido possível após o nascimento, é importante certificar se o bezerro irá mamar ou ingerir o colostro. A utilização de mamadeiras ou baldes para os bezerros é mais desejável que deixar o bezerro mamar, pois desta forma se conhece a quantidade consumida. Algumas pesquisas tem mostrado que entre 40 e 50% dos bezerros ou não mamam ou não consomem a quantidade de imunoglobulinas necessárias à proteção de doenças.
Uma questão amplamente debatida refere-se a quantidade ideal de leite a ser fornecida para o desenvolvimento de bezerros. Tradicionalmente, em função de diversos resultados experimentais, tem-se adotado, como padrão, o fornecimento de 4 litros/dia. De acordo com os dados apresentados em pesquisas, comparando o crescimento de bezerros submetidos a diferentes quantias diárias de leite, não encontramos diferenças no desenvolvimento de bezerros alimentados com 4 litros de leite em relação a animais submetidos a doses maiores de leite/dia. Entretanto, a recomendação básica, de acordo com pesquisas mais recentes, seria o fornecimento associado ao peso corporal, ou seja, uma dieta líquida representando 12% do peso dos bezerros (peso vivo). Assim, por exemplo, um animal com 45 Kg deveria, teoricamente, receber 5,4 kg de leite/dia. Desta forma, devemos ter em mente que, ao padronizarmos a oferta de leite para bezerros, de uma forma ou de outra, estaremos sub ou superalimentando um determinado animal.
É importante ter conhecimento que o aporte de energia atua como fator limitante no crescimento. Em outras palavras, um animal consumindo energia além da sua necessidade de manutenção utiliza o excedente na conversão protéica da dieta em tecido corporal. O fornecimento de pouca energia ou um desbalanceamento na quantidade de energia e proteína na dieta de bezerros atua, também, como fator limitante no desenvolvimento dos mesmos.
Para o animal recém-nascido, o objetivo deve ser de fazer com que seu rúmen venha a se tornar funcional o mais rápido possível. O desenvolvimento ruminal está associado a desenvolvimento das papilas deste compartimento estomacal, via suprimento de ácidos graxos voláteis, especialmente propionato, vindo do fornecimento de concentrado. Uma ração de alta qualidade precisa ser oferecida aos animais a partir de 3 a 7 dias de idade. Pequenas quantidades oferecidas e recusadas devem ser removidas do cocho para manter a ração fresca. Pesquisas com altos níveis de proteína não degradada e gordura são variáveis. A adição de uma fração fibrosa a uma dieta inicial de bezerros pode auxiliar no atendimento das exigências iniciais de feno (antes de um mês de idade).
Nas condições nacionais, existe uma grande diversidade de procedimentos na forma de criação de bezerros, dificultando a adoção de critérios adequados para desamamentar. Dessa forma, a desmama pode ser feita com base na idade da cria, na quantidade de ração consumida diariamente no ganho de peso, no peso corporal e na combinação desses critérios. Há evidências de que o impacto da desmama é menos severo nas crias quando estas são desmamadas com base no peso vivo (tamanho corporal) do que de acordo com a idade, pois permite que essa prática ocorra mais próximo de uma idade fisiológica mais eqüitativa das crias.
Geralmente, a desmama é realizada quando o animal está ingerindo por volta de 1 Kg de concentrado/dia. Desta forma, quando desmamadas, as bezerras estarão consumindo uma quantidade de concentrado suficiente para atender às suas exigências nutricionais. Quando o manejo de bezerras é bom e o concentrado é de boa qualidade, isso pode ocorrer em torno de 6 à 8 semanas de vida. Quando o consumo de concentrado é abaixo de 500 g/dias o rúmen ainda não está completamente desenvolvido e caso a bezerra esteja consumindo forragens, ao contrário de que muitos pensam, esse desenvolvimento ainda é mais comprometido
O fornecimento de forragem também é importante para o desenvolvimento do rúmen, entretanto, o seu consumo depende da sua qualidade. Muitos produtores adotam o manejo do fornecimento de feno para esta categoria animal. No entanto, o fornecimento de material de baixa qualidade (elevado FDN), devido a baixa eficiência (baixo consumo), torna-se ineficiente e mais caro que o fornecimento de concentrado.

Fonte: Rural Pecuária

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Ano deve ser bom para setor de carne bovina, avalia CNA

O ano de 2011 tem tudo para ser muito bom para o setor decarne bovina do país, de acordo com informações apresentadas nesta quinta-feira (10/02) pela Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). A previsão do Fórum Permanente de Pecuária de Corte da instituição é de que as exportações de carne bovina somem 2 milhões de toneladas neste ano, aumento de 25% em relação a 2010. 

A União Europeia vem retomando lentamente as compras de carne bovina in natura brasileira, produto que sofreu embargo, no início de 2008, por inadequações no sistema nacional de rastreabilidade do gado. A diminuição drástica das exportações para o bloco econômico, no entanto, está sendo compensada pelo crescimento de mercados que importam carnes menos nobres, a um preço menor, como Rússia, Hong Kong e países do Oriente Médio. Assim, o Brasil conseguiu, no ano passado, vender US$ 3,86 bilhões em carne bovina in natura, aumento de 27% sobre 2009. 

Embora os custos de produção tenham aumentado cerca de 21% durante 2010, o preço da arroba do boi sofreu valorização de 40%, recuperando a margem de lucro do produtor. Na comparação entre o mês de janeiro dos últimos anos, o valor da arroba passou de R$ 74,24 no início de 2008 para R$ 80,81 em 2009, R$ 75,09 no ano passado e R$ 101,85 em 2011. 

Para melhorar a imagem ainda desgastada do sistema produtivo brasileiro no mundo, principalmente em mercados como Oceania e Ásia - fechados para a carne bovina in natura brasileira por conta de o país ter áreas não reconhecidas internacionalmente como livres de febre aftosa com vacinação -, os representantes do setor estão apostando no Congresso Internacional da Carne, marcado para os dias 8 e 9 de junho em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. 

O estado, segundo maior produtor nacional de gado, obteve, na semana passada, da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), o status de livre de aftosa com vacinação para a área na fronteira com o Paraguai e a Bolívia, a única de seu território que ainda não tinha o reconhecimento. Durante o congresso internacional, os participantes devem visitar propriedades pecuárias e conhecer melhor o sistema de criação de gado no país.



Fonte: Globo Rural

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Tratamento de madeira para cerca



Quais as vantagens que o tratamento de preservação de madeira oferece?

É um método simples e barato.

Pode ser feito pelo produtor o ano todo na propriedade.

Aumenta a vida útil da madeira em 5 a 7 vezes.

O que é necessário para tratar o eucalipto? 

Dois tambores de 200 litros abertos na boca, de preferência de plástico. Se forem de latão, pintá-los internamente com duas demãos de Neutrol ou outro impermeabilizante por causa da ação corrosiva do cobre.


 Um balde para 10 litros. 
 Um bambu, um galho de eucalipto ou uma pá de madeira para a mistura dos produtos na água. 
 100 litros de água limpa.

 Dois e meio quilogramas de sulfato de cobre (ação fungicida).

 Dois e meio quilogramas de dicromato de potássio ou dicromato de sódio (ação fixadora).

 Meio quilograma de ácido bórico (ação inseticida). 
 30ml de ácido acético glacial ou 120ml de vinagre (acidificante)
 Palanques roliços de madeira verde, com diâmetro máximo de 25cm e altura máxima de 3 metros.

Qual a utilidade dos tambores?

Num tambor, a solução será preparada e armazenada para ser usada quando necessário.

No outro tambor, serão colocados os palanques e depois a solução preservadora, quando estiver preparada.

Como deve ser o preparo da solução? 

 Primeiramente, colocar em um dos tambores 100 litros de água aos quais serão adicionados os três produtos químicos descritos, um por vez. Porém, cada um dos produtos deve ser previamente diluído no balde com 5 a 6 litros de água e somente então pode ser transferido para o tambor da solução. Após a colocação de cada produto no tambor de 100 litros, a solução deve ser agitada para total diluição.

Deve-se adicionar inicialmente o ácido acético e depois os outros produtos.

Como preparar a madeira para receber o tratamento? 

O corte da madeira pode ser feito com motosserra, serrote, traçador e, até mesmo, machado, desde que bem afiados.

 A madeira deve ser verde e roliça, proveniente de árvores sadias. 

 Devem-se preferir árvores com o mínimo de galhos nos dois terços inferiores do tronco. 
 A madeira deve ser cortada no máximo 24 horas antes do tratamento. 
 A casca do eucalipto deve ser retirada minutos antes do tratamento. 
 Caso a madeira seja cortada para ser tratada no dia seguinte, não retirar a casca e deixar os palanques deitados à sombra.
 A retirada da casca deve ser feita batendo-se com uma marreta na casca, porém com cuidado para não machucar os vasos da madeira branca. 


Quais os procedimentos do tratamento? 

Para facilitar o manuseio das madeiras, que serão colocadas do tambor vazio, enterrar, se possível, esse tambor uns dois terços de sua altura.
A madeira cortada e descascada deve ser colocada dentro desse tambor de forma que todos os palanques fiquem com os pés para baixo e a ponta para cima.

É importante a retirada do limbo que se encontra entre a casca e a madeira branca. Isso pode ser feito com uma escova de aço e um pano.

Proteger o fundo do tambor que irá receber os palanques, com pedaços de borracha ou, até mesmo, com pedaços de casca de eucalipto.

Em seguida, colocar a solução preservadora nesse tambor com as madeiras até a altura de 60cm (segundo friso do tambor, de baixo para cima), por um período de sete dias.

Após esse período, inverter a posição da madeira no tambor ( pé para cima e ponta para baixo), deixando por mais três dias

O que fazer com a solução que restou do tambor reserva?

A seiva que se encontra dentro dos vasos da madeira vai se evaporando pelo topo dos palanques. A solução preservadora vai sendo sugada por essa madeira de baixo para cima e vai ocupando os espaços no interior dos seus vasos, substituindo a seiva. Com isso, o nível da solução do tambor com as madeiras vai baixando e necessita ser completado, diariamente, garantindo a altura mínima de 60cm. Entretanto, antes de colocar a solução no tambor das madeiras, é importante lembrar que deve-se agitá-la para misturar bem.

Em quanto tempo a madeira estará pronta?

Sete dias após o início do tratamento, o nível da solução estará estável e os palanques exibirão uma coloração escura que, depois de seca, ficará esverdeada. Então, os palanques devem ser virados de pé para cima e ponta para dentro do tambor, permanecendo, assim, por mais três dias.

Após esses três dias, devem-se retirar as madeiras e empilhá-las para secar à sombra por um período de 25 a 30 dias, podendo, então, os palanques ser enterrados. É preferível que os furos e os entalhes sejam feitos antes do tratamento.

Qual o custo desse tratamento? 

Considerando-se apenas os preços dos produtos químicos, o tratamento para cada palanque ou moirão de aproximadamente 12cm de diâmetro por 2,20 metros de altura custará por volta de R$ 2,00.

Lembretes importantes:

1-No verão, caso apareçam traças furando a madeira já tratada (orifício de postura), devem-se adicionar, nos próximos tratamentos, 30ml de inseticida piretróide (Decis 25 ou Buldok) à solução preservadora.

2- Os produtos utilizados no tratamento são tóxicos e requerem o uso de equipamentos de proteção individual (EPIs), como capa plástica com protetor de cabeça, luvas de borracha nitrílica de mangas longas, botas de borrachas.


Fonte: Rural pecuária, Coordenadoria de Assistência Técnica Integral

Mula trabalhando



Vídeo de uma mula que ajuda na cura dos bezerros nelore, muito bom.