segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

A importância do sal para o gado

O Brasil tem um dos maiores rebanhos de gado bovino do mundo. Somos o maior exportador mundial de carne. Mas ainda podemos crescer mais. Basta aumentar a produtividade, ou seja, o ganho de peso dos animais no campo.
Além de proteínas, fibras, energia e vitaminas os animais precisam receber minerais, o famoso sal. É que as pastagens tropicais não oferecem a quantidade exata de minerais que os bovinos precisam, por isso a necessidade da suplementação.
Embora compondo apenas cerca de 5% do corpo de um animal, os nutrientes minerais contribuem com grande parte do esqueleto (80% a 85%) e compõem a estrutura dos músculos, sendo indispensáveis ao bom funcionamento do organismo (McDowell, 1992). Os desequilíbrios dos minerais na dieta animal podem ocorrer tanto pela deficiência como pelo excesso.
Para isso, existe a suplementação mineral do gado de corte, um dos mais importantes componentes de um bom manejo. Se os animais não recebem essa suplementação, ou se a prática é feita de forma inadequada, logo aparecem os baixos índices de desempenho e até outros problemas como doenças e morte.

Sintomas da deficiência mineral
Como se trata de um grande número de elementos que desempenham as mais variadas e complexas funções no organismo, os sintomas causados pelos desequilíbrios minerais da dieta não são específicos. Esses sintomas podem ser confundidos com aqueles causados por deficiência de energia e proteína (alimentação deficiente qualitativa e quantitativamente) ou por problemas de saúde (parasitismo, doenças infecciosas ou ingestão de plantas tóxicas).
Os principais sintomas gerais que indicam a ocorrência de deficiências minerais no rebanho são, conforme Veiga et al. (1996) e Veiga & Lau (1998):
Apetite depravado - Os animais comem terra, pano e plástico; roem e ingerem ossos, madeira e casca de árvores; lambem uns aos outros; apresentam avidez por sal de cozinha.
Redução do apetite - Mesmo em pastagens com plena disponibilidade de forragem e de boa qualidade, os animais apresentam baixo consumo, mostrando o ventre sempre vazio (afundado).
Aspecto fraco ou doentio - Os animais ficam magros, com dorso arqueado, pêlos arrepiados e sem brilho, lesões na pele e dificuldade de locomoção.
Anomalias dos ossos - Os ossos longos se tornam curvos e as extremidades dilatadas.
Fraturas espontâneas - Freqüentemente, ocorrem quebraduras ósseas, sobretudo quando os animais são manejados, evidenciando fraqueza do esqueleto.
Anomalias da pele - Despigmentação e perda de pêlo, e desordem da pele, como ressecamento e descamação.
Baixo crescimento e produtividade - O crescimento dos animais jovens é retardado, o ganho de peso é baixo ou negativo (perda de peso) e a produção leiteira é prejudicada.
Baixa fertilidade - Rebanhos com carência mineral apresentam uma reduzida fertilidade das vacas, em face da ocorrência de cios irregulares ou ausentes, abortamento e retenção placentária, resultando em baixa produção de bezerros.
Baixa resistência a doenças - Animais deficientes em minerais são menos resistentes (mais susceptíveis) a doenças e se ressentem mais dos ataques de parasitas internos (vermes).


Cochos de sal
Como a chuva solubiliza parte dos componentes da mistura, os cochos devem ser devidamente cobertos. Também, devem ser em número suficiente e ter uma altura que facilite o acesso dos animais menores. As dimensões devem ser em razão do número de animais a ser suplementado, considerando-se um intervalo de abastecimento de, no máximo, 1 semana. A soma do comprimento de todos os cochos disponíveis deve ser suficiente para permitir o acesso simultâneo, de cerca de 10% dos animais, onde cada animal adulto requer um espaço de 40 a 50 cm de um dos lados do cocho. Dessa maneira, um lote de 200 animais requererá um cocho de 4 a 5 m de comprimento ou 2 cochos, cada um com 2 a 2,5 m. Dois modelos de cochos são mostrados na Fig. 1.
Ilustração: Jonas Veiga

Fig. 1. Detalhes de cochos cobertos: A - cocho sem proteção lateral, B - cocho com proteção lateral e C - seção lateral do compartimento.
A melhor localização dos cochos é determinada pelo hábito dos animais, procurando-se colocá-los nos locais de maior freqüência, para facilitar o consumo. O piso em torno dos cochos deve ser aterrado e compactado, para evitar a formação de atoleiros.



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